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Charles Wesley e os Primeiros Metodistas

• Nome
Charles Wesley
• Nascimento
18 de dezembro de 1707, em Epworth (Inglaterra)
• Falecimento
29 de março de 1788, em Londres (Inglaterra)
• Pais
Samuel e Susanna Wesley

 

A importância de Charles Wesley para a história metodista se estende desde a primeira etapa do movimento – a criação do Clube Santo – passando pela experiência missionária na América do Norte, até sua consolidação a partir de Londres e, especialmente, Bristol. Entretanto, uma das maiores contribuições de Charles Wesley para o avanço do movimento wesleyano está no campo da hinologia.

José Carlos de Souza, ao propor sua “Linha do Tempo – Vida de Charles Wesley (1707-1788)” lembrou que seria “difícil imaginar o desenvolvimento e a expansão do metodismo sem a força dos seus cânticos” [Anuário Litúrgico 2007]. Para uma comparação imediata, se John Wesley, seu irmão, é lembrado pela experiência do coração aquecido, Charles o é pela experiência com a poesia, sendo conhecido como o homem do coração dançante. São cerca de 9.000 hinos e poemas sacros, para se falar em números redondos.

Aliás, é quase impossível falar de Charles Wesley sem mencionar John, seu irmão; e vice-versa. Há, porém, significativas diferenças entre eles no que diz respeito ao “temperamento, em relação à avaliação dos pregadores leigos e, sobretudo, quanto ao relacionamento com a Igreja da Inglaterra”. Todavia, no que dizia respeito à doutrina, às concepções teológicas, às ações e às experiências religiosas, eram tão próximos quanto era a afeição de Charles pelos poemas e pelos cânticos.

O nascimento e a criação de Charles Wesley

Charles Wesley nasceu no dia 18 de dezembro de 1707, em Epworth, Lincolshire. Ele foi o décimo oitavo filho de Samuel e Susanna Wesley [Cf. Anuário Litúrgico 2007].

A criação dos filhos e filhas de Susanna e Samuel seguiu, naturalmente, os critérios que aquela época exigia. As crianças conviviam apenas com seus irmãos e irmãs, sendo restrito ou praticamente inexistente o convívio com outras crianças. Sua formação foi exclusivamente familiar até a idade de 10 anos, como pode ser provado em relação a John, e, provavelmente, ocorreu também com os demais. Num tempo em que não havia escolas públicas, as crianças eram educadas pela mãe.

De fato, é perceptível a grande influência de Susanna sobre John e Charles no plano da educação. Quando Charles Wesley tinha cerca de um ano e dois meses de idade, ocorreu o memorável incêndio da casa pastoral de Epworth. O incêndio não vitimou nenhum dos membros da família, mas John Wesley é lembrado como o menino que foi “tirado como tição do fogo”. Por conta disso, os filhos foram abrigados em casas dos vizinhos por alguns meses. Esse período foi a única exceção ao fato de que todos os filhos e filhas foram educados diretamente pela mãe, com a mesma dedicação e disciplina [Cf. Caminhando, n° 12, 2° semestre/2003].

Duncan Alexander Reily lembra que o método de ensino e a educação foram os mesmos para todos: “Chegando à idade de cinco anos, cada criança era ensinada a ler; todos, menos Molly e Nancy, aprenderam o alfabeto em um só dia”. Conforme este autor, a “cartilha de leitura era o primeiro capítulo de Gênesis”. Houve entre os irmãos quem aprendesse o alfabeto em poucas horas e, em poucos meses, quem já lesse todo o primeiro capítulo de Gênesis, como foi o caso de Samuel, o irmão mais velho. Hetty, a mais brilhante das crianças, aprendeu grego aos oito anos de idade [Cf. Caminhando, n° 12, 2° semestre/2003].

O movimento metodista inicialmente pode ter parecido “uma continuação natural da vida devocional e das idéias da casa pastoral de Epworth”, conforme Richard P. Heitzenrater. Heitzenrater informa que Susanna “instituiu uma hora por semana à noite para cada um de seus cinco ou seis filhos que estivessem em casa a qualquer tempo”. No tocante à vida devocional, há destaque para o sermão semanal, “que se esperava, sem dúvida, que as crianças ouvissem fielmente”. Heitzenrater avalia que isso, com certeza, deixou marcas indeléveis no desenvolvimento teológico dos filhos e filhas. Charles e John Wesley saberão reconhecer esse legado [Richard P. Heitzenrater, Wesley e o povo chamado metodista].


A formação acadêmica de Charles Wesley

O início da carreira acadêmica de Charles Wesley foi na Westminster School, em Londres. Conforme José Carlos de Souza, Samuel, o irmão mais velho de Charles, foi professor-assistente nessa escola. Charles, assim como John, estudou na Universidade de Oxford. Samuel, seu pai, pertencia à terceira geração de diplomados em Oxford, lembra Duncan Alexander Reily.

Charles Wesley ingressou no Chritst Church, Universidade de Oxford, em 1727. Conforme José Carlos de Souza, ele não se destacou pela sua piedade ou seriedade, deixando ser levado inclusive pela ambiente mais liberal da universidade e, por isso, chegou a ser desaprovado por John [Cf. Anuário Litúrgico 2007].

A busca pela santificação de coração e vida já tomava conta de John Wesley, desde que leu Tomas de Kempis [A Imitação de Cristo] e Jeremy Taylor [O Viver e o Morrer Santo], em 1725. Por isso, é plenamente compreensível o desacordo momentâneo sobre aspectos da vida na universidade. No entanto, em pouco tempo Charles mudou de postura e, em 1729, inicia o primeiro broto do metodismo. Mais tarde, Charles Wesley lembra: “A diligência me conduziu para o pensamento sério. Eu participava do Sacramento semanalmente e persuadi dois ou três jovens estudantes a me acompanharem, e observarem o método de estudo prescrito pelos estatutos da Universidade. Isso me valeu o inocente apelido de metodista” [Cf. Anuário Litúrgico 2007].


As origens do Clube Santo


Inegavelmente, as origens do Clube Santo remontam ao acordo de um grupo de alunos que se reuniam para orações, leituras, visitas e estudos, no contexto da Universidade de Oxford, a partir de 1729. Mas como vimos acima, isso começou inicialmente na diligência que conduziu Charles para o pensamento sério, conjugada com a intenção de reunir-se comunitariamente com dois ou três companheiros para viverem a vida cristã de forma autêntica e comprometida.

John Wesley lembra pontualmente as origens do Clube Santo: “Em novembro de 1729, data que em fui residir em Oxford, meu irmão, outros dois jovens cavalheiros e eu fizemos um acordo de nos reunirmos três ou quatro vezes por semana. Nos domingos à noite, líamos sobre teologia, e nas outras noites, os clássicos gregos e latinos” [Cf. J. Wesley, Obras de Wesley, Tomo V].

O grupo, além dessas reuniões, visitava freqüentemente os presos de Castillo. Não demoraram a perceber outras necessidades ao redor e passaram assim a visitar pessoas enfermas e a comungar com a maior freqüência possível. Diante da necessidade de três famílias pobres, o grupo passou a prestar-lhes auxílio, conforme a possibilidade de cada um [Cf. J. Wesley, Obras de Wesley, Tomo V].

É crível que dificilmente o metodismo chegaria a ser o que é, reconhecido historicamente, sem a contribuição de Charles Wesley. A semente de um movimento de renovação espiritual estava lançada e era cultivada com a integridade de vida de alguns jovens piedosos que conheceram desde cedo a experiência da evangelização, sem dividir o conteúdo e a vivência do Evangelho, unindo as ênfases “trabalho social” e “evangelismo pessoal” [Cf. Gonzalo Baèz Camargo, Gênio e espírito do metodismo wesleyano].

A modo de conclusão, é oportuno lembrar que as experiências desses jovens universitários, ainda que pujantes e comprometidas com a essência do Evangelho, não caracterizavam ainda a existência dos primeiros metodistas, ou pelo menos não expressavam a idéia do movimento metodista, como o termo requer. Para Gonzalo Baèz Camargo, “os primeiros metodistas não foram realmente, como dissemos antes, aqueles jovens estritos e formais do Clube dos Santos [Clube Santo] de Oxford, que buscavam sua salvação em uma piedade legalista e ascética. Os primeiros metodistas foram aqueles rudes mineiros de Cornwalis, aquelas mulheres resgatadas da sarjeta, aqueles limpadores de chaminés de Londres, todas aquelas gentes desprezadas pela sociedade para quem o Evangelho foi em verdade ‘Boas Novas’: as boas novas de que a graça de Deus em Cristo, universal e infinita, era também para eles” [Gonzalo Baèz Camargo, Gênio e espírito do metodismo wesleyano].

Rev. Gercymar Wellington Lima e Silva

Revisado por Revda. Hideíde Brito Torres




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