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A Natureza do Entusiasmo





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O rev. John Wesley impactou a sua época e as pessoas com seu modo prático e profundo de anunciar a Palavra de Deus através de seus sermões. Em 1747 ele publicou seus sermões como rs doutrinários pregados ao longo de oito a nove anos. A edição defiecursonitiva de seus sermões se deu no ano de 1771 e incluía 52 sermões.

Dentre estes, gostaria de destacar o sermão de número 37 “A Natureza do Entusiasmo” no qual cita o texto bíblico de Atos 26.24 – “Dizendo ele estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar!”
Ao resgatar nossa reflexão baseada neste sermão, estamos também enfatizando alguns objetivos principais que um sermão traz: educar, exortar, advertir, doutrinar e outros. Um sermão é sempre profético, pois anuncia (a vontade de Deus) e denuncia (a vontade humana). O rev. João Wesley quando elaborou e pregou este sermão, tinha em mente objetivos claros em relação ao contexto social de sua época: escravidão, fome, miséria, exploração, vícios, vários problemas que levavam o povo a um estado de opressão e alienação.
O rev. John Wesley fala do entusiasmo como uma forma de fanatismo que impera na sociedade, na religião, na igreja. Somos desafiados/as a analisar este sermão, levando em consideração o contexto geral do Brasil de hoje e o contexto específico de nossa comunidade de fé onde a igreja local está inserida.
O rev. John Wesley faz as seguintes considerações:


1- A sociedade (de modo geral) vê os seguidores de Cristo como “pessoas que vivem fora de si” – estes seguidores são aqueles que levam a mensagem autêntica do evangelho, são os que proclamam a justiça, paz e gozo no Espírito Santo.
O que notamos hoje é que isto acontece de modo inverso, pois “os que estão fora de sí” não são os que verdadeiramente seguem a Cristo, mas:


• aqueles que enganam a si mesmos;
• aqueles que perderam a consciência de Cristo;
• que se alienaram num tipo de experiência religiosa que só traz divisão, egoísmo, exaltação;
• são aqueles que frisam o Dom (Graça) e esquecem totalmente o ministério (serviço);
• são os que enfatizam os sentimentos e se esquecem da razão;
• são os que ignoram o ministério de Cristo: o serviço integral ao próximo para concretização do Reino de Deus (proclamar a vida) que se expressa em libertação, paz e amor;

2- Muitos afirmam que “a religião tira o juízo” – devemos analisar esta colocação com muito cuidado, pois, se não soubermos separar religião de religiosidade, poderemos cometer erros graves. O que tira o juízo?
• a religião que não tem como centro a vida;
• que exclui o verdadeiro amor;
• que compactua com a injustiça e a opressão;
• que não tem voz profética;


Tal religião não é de Cristo, pois é instrumento de alienação e está a serviço de homens e não de Deus, é o “ópio do povo”. Ópio é uma mistura de alcaloides extraídos da papoula, cuja ação é analgética, narcótica e hipnótica. É exatamente isto que muitas expressões de religiosidade têm feito com o povo: muitos estão drogados pela religiosidade e vivem hipnotizados pelas mentiras antibíblicas dos líderes modernos. Confira na Bíblia e testifique o que estou falando!


3- O mundo vê como louco aquele que tem convicções maiores:
• que não é preso às coisas temporais;
• que tem convicção das coisas que não se veem;


Não somos loucos como o mundo diz, mas poderemos ser ingênuos se pensarmos ou crermos que tudo é para o além e nada se inicia agora, hoje.
Esperamos o crescimento da Igreja Metodista no Brasil para os dias atuais, mas muitos dizem que somos loucos.  Prefiro viver esta loucura do que a sanidade fria e sem santidade que leva muitos à hipocrisia e ao comodismo.


Segundo João Wesley, há várias espécies de entusiasmo, tais como:

a. O IMAGINÁRIO – são aqueles que “imaginam ter a graça da qual não dispõem”; são aquelas pessoas que não têm raízes, opiniões formadas; vivem fantasiando a realidade; imaginam ter um dom que jamais possuíram e, por isso, sofrem de distúrbios.

b. O DEFENSOR – são aqueles que defendem com “unhas e dentes” a religião ou opiniões e fórmulas ritualistas que eles dignificam e divinizam. Defendem a tradição, mas não vivem de modo digno do Evangelho. Você conhece algum grupo assim?

c. O POSSUIDOR – são aqueles que “pensam possuir” certos dons de Deus, só que, na verdade, não possuem. Imaginam-se dotados de poder para curar, profetizar ou prever o futuro, mas se esquecem da sabedoria e de dar a honra e a glória para Deus.

d. O IGNORANTE – são aqueles que usam a Bíblia como base de compreensão, sem ler e estudar a mesma; são os que usam o texto para pretexto desrespeitando o contexto. Tais procedimentos são um desrespeito às Escrituras que são ricas em nos ensinar, em nos dar
uma visão ampla da vida quando queremos aprofundar nosso entendimento.

e. O HESITANTE – são aqueles que imaginam que certas coisas sejam providência de Deus; sabemos que tudo procede de Deus, exceto o pecado. Não podemos esquecer que a vontade de Deus é soberana, pois ELE é o Senhor e nós somos servos. O rev. John Wesley ainda diz: “sua providência está sobre todos os homens do universo, assim como sobre cada indivíduo”. Se pensamos que a providência de Deus só está sobre alguns, estamos cometendo muitos erros, pois podemos, assim, justificar e legitimar aquilo que é injusto e até injustificável: a opressão.

Podemos concluir que segundo o rev. John Wesley, o “entusiasta” é um louco e não um idiota, pois o idiota é aquele que tira conclusões erradas de premissas certas, enquanto que o louco é aquele que tira conclusões certas de premissas falsas ou erradas.

Todo entusiasta é um louco cuja loucura é religiosa. Tal loucura não parte da religião, pois a mesma tem como princípio a mente sadia, sendo oposta a qualquer espécie de loucura.

Sendo assim, o entusiasta “fala de religião, de Deus ou das coisas de Deus, porém qualquer pessoa em estado normal pode discernir a desordem que lhe vai na mente”.

O rev. John Wesley define o entusiasmo como uma “loucura religiosa proveniente de qualquer imaginária e falsa influência ou inspiração de Deus, ou afinal partindo da imputação a Deus de alguma coisa que a Ele não se pode atribuir, ou esperando de Deus alguma coisa que d’ELE não se deve esperar”.

Devemos estar alertas contra este “vírus do entusiasmo” que tem penetrado e contaminado o “Corpo de Cristo” – a Igreja. Devemos combatê-lo duramente com tratamento preventivo: Estudo da Bíblia e Discipulado Cristão.

É triste saber que podemos diagnosticar várias pessoas assim dentro de nossas comunidades locais; elas fazem da igreja local um hospício e não uma comunidade terapêutica.

Caso persista sem desejo de cura, devemos repreendê-los/as com a autoridade e pelo poder do nome de Jesus. Lembre-se do conselho que nos deu Jesus: “Errais por não conhecer as Escrituras e nem o poder de Deus” (Mateus 22.29).

Do seu pastor,
Bispo Roberto Alves de Souza.


BIBLIOGRAFIA:

WESLEY, John. Sermões de Wesley, v2, 2e. São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1985.
GONZÁLEZ, Justo L. Obras de Wesley. v2. Sermones II. Tennessee: Providence House Publishers, 1996.
HOUAISS, Antônio Villar et all. Grande Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008




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